domingo, 31 de agosto de 2014

Adeus Agosto

Mês estranho.
Houve dias lindos, dias tristes, dias de lágrimas, dias de sorrisos.
Ora a alma fica leve. Ora pesa, como âncora em direção ao breu do oceano.
O tempo corre feroz e ainda te sinto muito presente em mim. Não é sempre, mas quando você vem tudo fica mais difícil. Desanimo da vida.
Sinto falta de mim mesma e de ter onde morar.
Os dias passaram num estalar de dedos. Pessoas entraram na minha vida, algumas não mereceram ficar, outras simplesmente se foram. Menos você que permanece ali, no mesmo lugar que sempre insistiu em ficar.

domingo, 24 de agosto de 2014

Gira mundo

Hoje foi um daqueles dias de desgaste de alma. Onde lembranças me devoram inteira.
E em dias assim eu me sinto cansada e perdida. Cansada de amores fracassados,  cansada de dedicações em vão, cansada da falta de reciprocidade.
Minha alma deseja essência e novos amores, mas meu coração sente medo.
A minha maior decepção é  de saber que não  tenho conseguido viver bem sozinha. Não  tenho me amado. E agora a única pessoa que me tirava o riso se foi,  as pressas,  em passos largos.

Por que amores vem e vão?  Por que desistem tão fácil dele?  Cansei de só lutar,  sinto falta de que lutem por mim.

Espero amanhã voltar a me encontrar. Espero que, enquanto perdida, ninguém me tire batidas descompassadas e sorrisos constantes se não for pra ficar.

O mundo hoje girou rápido demais e eu tonta,  só sei chorar. 

sábado, 23 de agosto de 2014

Até

Gosto da forma sedutora como você me olha,  tão  intensa.  É como se me devorasse inteira.  É como se quisesse guardar cada detalhe. Você me desconcerta...

A vontade de estar com você e de compartilhar momentos foi se tornando constante. Desejei mais sorrisos, desejei que ficasse e que ocupasse esse espaço que se tornou vazio dentro de mim.  Mas, esse mesmo espaço ainda não se recuperou de tantas feridas e por mais que ele anseie por novos amores, ele ainda se sente desesperado,  saudoso,  nostálgico. Despreparado. 
Eu gostaria de ter me apaixonado por você. Aliás, eu sinto algo que não sei explicar o que exatamente é. Talvez seja apenas porque você me faz um bem incrível. Somos compatíveis em parte, mas não houve uma combinação de almas. Talvez eu não te encontre mais,  talvez não terei teu abraço para me fazer sentir mais leve,  talvez não olhe mais esses olhos profundos,  talvez nunca mais encoste meus lábios na sua tatuagem quando mordisco sua boca no nosso beijo enrolado porque minha vida se tornou uma coleção de reticências e isso quer dizer tanto e ao mesmo tempo pouco. 
Você é  especial a seu modo, mas não calçou meu coração.
Espero que você encontre o caminho pelo qual  tem que seguir e que esse caminho, por mais torto e cheio de obstáculos, faça te sentir  feliz e completo. E se der errado,  bata essas suas asas nas costas, tão quietas, e aprenda a voar por novos rumos. 
Que um dia eu encontre o meu caminho também e nele um recomeço. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Bloco de notas


As vezes parece que meus sonhos foram roubados, despedaçados.
Em alguns dias minha vida se torna uma mentira. Os sorrisos que ofereço não fazem sentido e nem sinceros são.
Nesses mesmos dias, durante a noite, a dor se sobressai. E choro pelo que me foi tirado. O que ainda se encontra perdido em algum canto do seu quarto, entre as dobras do edredom. No seu travesseiro repousam lembranças minhas. Memórias de quando dois abraços se encaixavam e corpos suados se contorciam bagunçando o lençol da sua cama.
Me deixa ser feliz de novo? Deixa eu reaprender a me amar, a ser sozinha. Cansei de sentir sua falta. Cansei de me lamentar. Cansei de ouvir canções de outros ou canções suas e chorar. E não entender porque tudo tomou outro rumo. Sentir um vazio e uma solidão horrível.

Tudo que ficou foram reticências e saudade.

Quando tudo parecia fácil demais, quando cores começaram a surgir na minha vida, você reaparece em memórias rasgando a tela da alma. Desafrouxando pontos.
Toma de volta o que você me fez sentir, pega é seu. Leva, não quero mais.
Eu só quero me sentir feliz sem sentir sua falta. Que sentimentos voltassem a descansar. Quero reaprender...

... a amar.

sábado, 26 de julho de 2014

Sobre olhares que se cruzam

Ele subiu no ônibus primeiro.
Já havia se sentado.
Enquanto eu caminhava pelo corredor nossos olhares se cruzaram por, o que parecia, um longo tempo.
Sentei -me na frente dele.
Por diversas vezes tive vontade de me virar.
Mas não o fiz.
Coloquei meu fone de ouvido e me afundei em músicas e pensamentos
Imaginando o que ele havia pensando quando seus olhos fitaram os meus.
E assim foi toda a viagem
Sentindo seu olhar na minha nuca.
Meu destino havia chegado
Desci
Ele ficou
Olhei para ele na janela dando um adeus mental
O ônibus partiu
E nunca mais o vi.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

...

Nada disso é  real
Ela  vai voltar pra casa  com sua maquiagem borrada
Vai acordar no dia seguinte  se sentindo  muito mais pesada que leve.
Nostálgica.
Vai pensar o quanto  sente falta  de momentos que não  voltam.
O quanto sente falta do sorriso dele.
Ela não  chora mais
Dor? Ela ainda  sente
E em dias frios,
Intensamente.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Santos

Quando eu era do ginásio, pelo menos na minha época, as pessoas da mesma idade que eu, em sua maioria, ainda estavam com um pé na infância outro na pré adolescência. Eu aos 13 anos nunca havia se quer beijado alguém na boca. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que enxergava meus professores como grandes pessoas, daquelas pessoas que a gente respeita, que acha que são sérias. Eu nunca imaginava como seriam a vida desses mesmos fora dali. O que aprontavam, se era pessoas totalmente corretas. Que babaquice.
No ano de dois mil e quatorze, o Santos é professor de história, tem 28 anos e também dá aulas para "pré adolescentes". Fico pensando se seus alunos sabem que ele toca guitarra, que faz parte de uma banda de rock, que tem um gato chamado Moby Dick, que gosta de poesia e fotografia. Que ele é vegetariano, acho que naturalista também. Que tem uma estante cheia de livros de todo tipo. Se imaginam que a parede da casa dele tem recortes de revistas por todo lado entre imagens de bandas, imagens retrô, old school e de mulheres nuas e que em uma dessas paredes ele esconde um poema escrito por ele do qual ele chama de Poema Oculto. Se esses mesmos alunos vêem Santos como um cara totalmente na linha. Se imaginam que ele fuma maconha com a galera da banda dele. E por fim me pergunto, será que Santos já comeu alguma de suas alunas?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Expectativas

Acordei e olhei para o travesseiro.
Vi pela primeira vez meus sonhos psicodélicos grudados nele.
Literalmente.

terça-feira, 15 de julho de 2014

A(Mar)

Em dias como os de hoje, que libertei sorrisos, que respirei fundo o ar do mundo trazido pelo vento enquanto admirava aquela imensidão de mar e ao alvorecer apontam no céu nuvens avermelhadas refletindo os últimos raios do Sol, deixando o fim do dia de uma cor formidável, essas "pequenas" coisas me fazem crer o quanto essa vida vale a pena.

E assim se assentou mais um dia. Dormiu para dar lugar a estrelas que se escondem distantes.
Agora míngua a Lua e a alma minha descansa.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Fui Flor

Olhar-te
Em fotografia
Dói
Corrói
Alimenta
Bicho-saudade
No contorno dos teu lábios me perdi
Em versos morei
E nunca mais me reencontrei


(Ouvindo Por Enquanto - Legião Urbana)

domingo, 13 de julho de 2014

Eu, Ted Mosby

Enquanto todos gritavam ensandecidos  por um gol, eu, mas uma vez, sorria boba. Esperançosa querendo acreditar, de novo.

E assim segue o ciclo da minha vida e de um coração despedaçado, tolo por ser otimista.

Um dia tudo se encaixa, um dia uma alma se encasa.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Plataforma 22

Estar ali aguardando o embarque me fez lembrar de você em pé com seus fones de ouvido "gigantes" e roxo (minha cor favorita), mas isso não tem a menor importância, esperando meu ônibus chegar. As mãos no bolso do casaco para se esquentar, usando touca e blusão xadrez com aquelas bochechas lisas arredondadas sobressaindo diante de toda aquela barba, aqueles olhos serrados. Sorriu de leve enquanto eu me aproximava. Que coisa linda de observar que você é, era tudo o que eu pensava. Estava tão frio, vento gelado batendo no rosto. Você veio me dando aquele abraço forte. Me beijou esquentando a alma. Nada em volta tinha importância.
Gostaria de mais momentos de desembarques e que de preferência fossem no frio para que terminassem no mormaço do seu abraço. Ou apenas despedidas com desenhos na poeira da janela do ônibus.

E tudo que resta são apenas  momentos vividos, desejos contidos ...
                                                               

... histórias para contar.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sobre paixões

Desisti do supermercado. Estava cheio demais e meu cansaço e minha pressa eram maiores. 
Passando pelo corredor olhei para as filas imensas e lá estava você, minha primeira ponte. Os olhos apertadinhos, aquele sorriso contagiante, tão ...
Parei. Não consegui continuar andando. Parei e olhei bem para você e sorri também. Quis ir falar com você, dar um oi sem graça. Abraçar e sentir seu cheiro que já nem lembro mais como era. Faz tanto tempo. Mas só fiquei ali, parada, olhando e sorrindo sozinha no meio do vai vem na esperança de que você também cruzasse o olhar com o meu.
Fui embora. E veio na memória momentos. Lembrei que a primeira vez que comi atum grelhado foi com você. Lembrei daquela viagem com seus amigos, lembrei do nosso primeiro encontro, daquele suco que tomamos no shopping, de quando nos beijamos. Do seu dente separado como o meu. Do quanto você é engraçado. Das vezes que andei de moto com você. Das nossas raras noites juntos.
Foi tão bom te conhecer
Apesar de tudo, sempre quis que as coisas dessem certo na sua vida, por você ser assim, tão especial. E, que bom que deu.

Quis muito que você ficasse, mas você apenas passou, assim como tantos outros.

"Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho
Muitos passarão

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor" - O Teatro Mágico

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Zíper

Aqui dentro não é um bom lugar para se morar hoje
À flor da pele
Choro
Sinto fome de amor
Minh'alma traga sentimentos
Intensamente
Assim como você tragou aquele baseado
Enquanto te esperava na cama
Semi nua
Enroscada no edredom.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Devolução

_ Eu estou meio assustada.

_ Eu também. Não sei dizer. Você é frágil, com uma pureza emotiva linda. Eu amo isso. Eu queria te abraçar te tocar. Mas tinha que fazer direito. Queria que fosse especial. Aproximar de você devagar.

_ Quero te abraçar e fazer você ficar.

_ Eu deixo você entrar.
Amanhã, se tudo não passasse de um sonho, qual a última coisa que você ia querer falar pra mim?

_ Que pergunta difícil.

_ Eu sei. Mas fala pra mim

_ Que você foi meu infinito durante o tempo em que estive contigo. Acho que diria isso.

_ Sei lá. Acho que tô com uma flecha vermelha atravessada.

_ E o que você diria pra mim?

_ Eu não consigo traduzir... Eu diria obrigado. Por me dar esperança.
Quero uma escada rolante. Pra beijar você parado em movimento. Em público. A cores. Sentir seu sabor. E que o tempo pare. Que se dane tudo. Iria para o limbo.


No cômodo vazio da biblioteca voltei ao mundo real. Havia um silêncio tortuoso que foi cortado pelo meu suspiro. Haviam lágrimas brotando em meus olhos. Os mesmos focavam o nada. O pensamento? Longe.
Eu tinha que devolver o livro. O tal exemplar raro. O lugar dele não era comigo. Eu só havia pegado emprestado. Gostaria de ter tido mais tempo com ele,  terminado a leitura e desvendado personagens. Era uma história instigante. Era como se eu vivenciasse de verdade tudo aquilo. Mas eu sabia que tais coisas não existiam.  Não sei se ainda o encontrarei disponível, se ele ainda estará lá, empoeirado, despercebido. Aprendi algumas coisas nesse tempo achado. Acho que talvez eu tenha encontrado minha segunda ponte.

Fim?